Campanha da Fraternidade 2026 é lançada na Diocese de Caxias do Sul e contempla atividades em diversas frentes de ação
O bispo diocesano, Dom José Gislon, e o coordenador da Ação Evangelizadora da Diocese, padre Leonardo Inácio Pereira, apresentaram a iniciativa que, neste ano, reflete sobre "Fraternidade e Moradia"
A Diocese de Caxias do Sul abriu, na manhã desta Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, a Campanha da Fraternidade 2026 com a tradicional coletiva de imprensa. A atividade, no Espaço Mater Dei, da Catedral Diocesana, contou com a presença do bispo diocesano, Dom José Gislon e do vigário-geral e coordenador da Ação Evangelizadora, padre Leonardo Inácio Pereira. Jornalistas e comunicadores de diversos veículos da região participaram do ato.
Neste ano, a Campanha da Fraternidade traz o tema "Fraternidade e Moradia" e o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14). Há 62 anos, essa ação acontece em toda a Igreja Católica no Brasil, tendo seu ponto alto sempre no tempo da Quaresma, iniciado nesta Quarta-feira de Cinzas. A CF 2026, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem como objetivo incentivar os católicos e toda a sociedade a "promover, a partir da Boa Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população".
Ao fazer a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2026, Dom José Gislon destacou a relevância do tema para a realidade brasileira. Ele também fez questão de pontuar que a CF não substitui a Quaresma, mas é uma força para viver especialmente o aspecto caritativo do tempo litúrgico. "A Quaresma é um ponto fundamental, uma caminhada espiritual de vida e a Campanha da Fraternidade quer nos ajudar a olhar a realidade da nossa sociedade a partir da espitualidade. E fazemos isso tendo presente as situações que ferem a dignidade da vida do povo de Deus".
Em sua fala, Dom José enfatizou que a Quaresma é um tempo de conversão espiritual individual e comunitária. "A Campanha da Fraternidade deste ano é uma reflexão sobre a realidade da moradia em nosso país. E precisamos olhar com atenção para os direitos do homem, feito à imagem e semelhança de Deus: trabalho, moradia e dignidade de vida. Por isso, eu faço um apelo a todos: vamos viver o tempo quaresmal deixando que a Palavra de Deus realmente toque o nosso coração, o nosso agir, e nos envolva numa caminhada de conversão espiritual sem fechar os olhos à realidade de exclusão que toca a nossa realidade aqui na Serra Gaúcha. Um país só muda quando nós também mudarmos nosso modo de ver a realidade social, nosso modo de ver a exclusão social e nos sentirmos comprometidos com o bem-estar dos nossos irmãos e irmãs".
O vigário-geral e coordenador da Ação Evangelizadora da Diocese, padre Leonardo Inácio Pereira, fez uma breve explicação do texto-base da Campanha da Fraternidade 2026, construído na dinâmica do ver, iluminar e agir. "A Campanha da Fraternidade, vivida no Brasil há 62 anos, é expressão da fé. Ela tem por objetivo fazer com que a prática quaresmal da esmola, da caridade nos ajude a ter a capacidade de olhar com altruísmo, com responsabilidade pela vida do outro. A questão da moradia incide diretamente a nossa fé, porque a evangelização passa pelo coração e, depois, pelas nossas mãos quando conseguimos arregaçar as mangas para fazer algo de bem em prol dos nossos irmãos".
Logo depois apresentou algumas das ações realizadas em âmbito diocesano, que levam em conta desde o mapeamento da realidade habitacional nas cidades que compõem a Diocese. Padre Leonardo salientou e convidou para formações sobre a CF, para a Coleta da Solidariedade e lançou Campanha da Inverno "Sinais da Esperança".
Mapeamento da realidade habitacional
Para embasar as ações da Campanha Fraternidade, a Diocese de Caxias do Sul realizou um levantamento diagnóstico das 32 cidades que compõem sua área de abrangência. A pesqueisa quer mapear a realidade e entender como a Igreja pode, efetivamente ajudar os municípios.
Os números revelam um cenário desafiador em uma população de quase 900 mil pessoas. Até a abertura da CF, 24 cidades haviam respondido ao questionário, o que revela uma boa amostragem da realidade. Foram identificadas quase 4 mil moradias não regularizadas na região O levantamento somou 1.055 pessoas em situação de rua, concentradas majoritariamente nos centros urbanos maiores, entretanto esses dois números estão subnotificados.
Coleta do Domingo de Ramos que ajuda a financiar projetos sociais da Igreja e da sociedade
Durante a coletiva, o padre Leonardo Inácio Pereira também apresentou a prestação de contas da Coleta Nacional da Solidariedade, a coleta em dinheiro realizada sempre no Domingo de Ramos, que em 2025 que arrecadou R$ 217.858,57 nas comunidades e paróquias da região. Do total, após o repasse de 40% para o Fundo Nacional de Solidariedade e 10% para o Regional Sul 3 da CNBB, R$ 109.975,64 foram destinados ao Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) para projetos na própria Diocese. Para 2026, a Coleta Nacional da Solidariedade está agendada para o dia 29 de março.
Campanha "Sinais da Esperança: solidariedade que aquece"
A Cáritas da Diocese de Caxias do Sul lançou, na coletiva de imprensa, a Campanha de Inverno "Sinais de Esperança: solidariedade que aquece". A iniciativa vai acontecer de 25 de fevereiro a 25 de julho, focada na arrecadação de alimentos não perecíveis, agasalhos, cobertores e fraldas. As doações podem ser entregues diretamente nas secretarias paroquiais, igrejas matrizes e comunidades. "As paróquias já realizam esse trabalho, mas agora adotamos uma linguagem comum para dar mais força à ação de ajudar quem sofre com o frio e a fome", destacou padre Leonardo.
Formação e diálogo com o poder público
A Diocese de Caxias do Sul vai promover dois momentos de formação no dia 24 de fevereiro, no Centro Diocesano de Formação Pastoral (CDFP), com a presença do jornalista Elton Bozetto, um dos redatores do Texto-Base da Campanha da Fraternidade. Das 08h30min às 12h, a reflexão será com o clero, agentes de pastoral e lideranças das paróquias e comunidades. A partir das 19h30min, no mesmo dia e local, a atividade será aberta à comunidade, com entrada franca.
A Igreja propõe, ainda, atuar como ponte junto ao poder público. Nas cidades da Diocese, está acontecendo a visita dos párocos aos secretários municipais de Habitação e/ou prefeitos, para a entrega do Texto-Base da Campanha da Fraternidade.
A coletiva foi concluída com a oração da Campanha da Fraternidade 2026 e a bênção de Dom José Gislon. Em seguida, o bispo atendeu os veículos de imprensa para entrevistas.
Sobre a CF 2026
A Campanha da Fraternidade 2026 chama atenção para dados alarmantes da realidade habitacional brasileira: 6,2 milhões de famílias não têm moradia adequada e cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua. Para a Campanha, a casa é a porta de entrada para todos os demais direitos. Sem moradia, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. Inspirada na Encarnação de Cristo - "Ele veio morar entre nós" -, a proposta convida à conversão pessoal e social.
Não é a primeira ocasião em que a Igreja direciona seu olhar para questão da moradia no Brasil. Em 1993, a CF adotou o tema "Fraternidade e Moradia", com o lem: "Onde moras?". Naquele ano, a campanha denunciou a desigualdade urbana e o contraste entre a “cidade legal”, planejada e estruturada, e a “cidade irregular”, marcada por favelas, cortiços, ocupações e moradias precárias.
A reflexão apontou problemas como especulação imobiliária; má distribuição do solo urbano; falta de saneamento e investimentos públicos; crescimento de favelas em áreas de risco e histórico de exclusão habitacional das populações pobres. Entre as propostas estavam a regularização de áreas ocupadas, construção de moradias populares, subsídios habitacionais, infraestrutura urbana e fortalecimento de associações comunitárias e da Pastoral da Moradia.
O vídeo completo da coletiva de imprensa está no topo da matéria.