Milhares de fiéis participam da 126ª Romaria Votiva de Nossa Senhora de Caravaggio, em gesto de gratidão pela colheita
Em sua homilia, Dom José recordou que a Romaria é o voto coletivo de gratidão pela abundância dos frutos da terra e pelo trabalho humano, mantido vivo por gerações de agricultores da Serra Gaúcha
O Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, coração da Diocese de Caxias do Sul, celebrou, nesta segunda-feira, 02 de fevereiro, a 126ª edição da Romaria Votiva. Marcado pela tradicional bênção das máquinas, o evento deste ano registrou a participação recorde de 264 tratores e equipamentos agrícolas no pátio do Santuário. Os agricultores se dirigiram em grande número à Casa da Mãe para renovar o voto de 126 anos atrás, quando pediram a graça da chuva, e a gratidão pela colheita.
A adesão expressiva surpreendeu a organização, especialmente por ocorrer em um dia útil e coincidir com o período de safra da uva, momento de trabalho intenso na Serra Gaúcha. “Superou as expectativas”, afirmou o reitor do Santuário, padre Ricardo Fontana, destacando a mobilização das famílias rurais que interromperam as atividades no campo para comparecer à celebração.
A Romaria Votiva é uma das tradições mais longevas da região. Sua origem data de 1899, quando produtores locais realizaram uma procissão em resposta a uma estiagem que já durava seis meses. Conforme os registros históricos da comunidade, a chuva caiu no mesmo dia da súplica, estabelecendo um compromisso anual de agradecimento que persiste há mais de um século.
Nesta edição, o lema escolhido foi “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). A temática deste ano também estabeleceu um diálogo com a Campanha da Fraternidade 2026, que terá como foco "Fraternidade e Moradia" e será lançada oficialmente no próximo dia 18 de fevereiro.
A Missa solene da festa da Apresentação do Senhor, foi presidida pelo bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom José Gislon, e concelebrada pelo bispo emérito, Dom Alessandro Ruffinoni, pelo reitor, padre Ricarlo Fontana, e demais sacerdotes. Em sua homilia, Dom José recordou que a Romaria é o voto coletivo de gratidão pela abundância dos frutos da terra e pelo trabalho humano, mantido vivo por gerações de agricultores da Serra Gaúcha.
Ao final da Missa, os agricultores seguiram em procissão pela avenida Dom José Barea, tendo à frente o carro-andor com a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio. Ao retornar ao Santuário, os padres aspergiram a água benta sobre as máquinas agrícolas. No interior da igreja, diversos sacerdotes concederam aos fiéis a bênção da garganta, por intercessão de São Brás.
Uma tradição com origem em 1899
A Romaria Votiva teve origem no ano de 1899, quando a região enfrentava uma das estiagens mais severas de sua história, com cerca de seis meses sem chuva. Poucos anos após a chegada dos imigrantes italianos, cuja agricultura era basicamente de subsistência, a escassez de alimentos e o sofrimento das famílias levaram as comunidades a recorrerem à fé.
Naquele ano, foi realizada uma novena itinerante, rezada nas capelas da região, que culminou em uma procissão até o Santuário no dia 2 de fevereiro. Conforme os registros históricos da comunidade, uma abundante chuva caiu no mesmo dia, fato reconhecido como sinal de graça e que deu origem a um voto coletivo de agradecimento, renovado anualmente até hoje.
A 126ª Romaria Votiva reafirmou o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio como espaço de fé, memória e esperança, fortalecendo a profunda ligação entre a espiritualidade, a vida no campo e a história do povo da Serra Gaúcha.
A programação, iniciada no dia 24 de janeiro, contou com:
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Novenas preparatórias (com público estimado em 5 mil pessoas)
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Procissão luminosa e recitação do terço
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Missa festiva seguida de procissão de máquinas pela Avenida Dom José Barea
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Almoço de confraternização